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# A quarta pior produtividade da União Europeia: o número que condena os salários portugueses
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- Published: 2026-08-04T07:21:29.000Z
- Updated: 2026-08-04T12:54:31.000Z
- Author: Ramiro Brito

[A quarta pior produtividade da União Europeia: o número que condena os salários portuguesesA lei laboral não é a causa única. Mas pode facilitar a adaptação da economia ou obrigá-la a defender o passado.![](https://storage.ghost.io/c/f3/5c/f35c2e53-af36-412d-96ea-c738b6852ee8/content/images/icon/favicon-8bd411b3-2d5f-424a-ba7b-fd8ae5451e66.ico)ObservadorRamiro Brito![](https://storage.ghost.io/c/f3/5c/f35c2e53-af36-412d-96ea-c738b6852ee8/content/images/thumbnail/https-3A-2F-2Fbordalo.observador.pt-2Fv2-2Frs-3Afill-3A900-2Fc-3A751-3A751-3Anowe-3A190-3A200-2Fq-3A70-2Ff-3Awebp-2Fplain-2Fhttps-3A-2F-2Fs3.observador.pt-2Fwp-content-2Fuploads-2F2026-2F01-2F28202850-2Fpresidente-aeminho-1ae3785a-0152-4fe5-8f85-3117ebf943c3.jpeg)](https://observador.pt/opiniao/a-quarta-pior-produtividade-da-uniao-europeia-o-numero-que-condena-os-salarios-portugueses/?ref=fora-do-ruido.ghost.io)

Portugal tem a quarta pior produtividade da União Europeia e o indicador recuou em 2025\. Ao mesmo tempo, os portugueses trabalharam, em média, 37,4 horas por semana, contra 35,9 no conjunto europeu. Esta é a primeira verdade que os números impõem: o nosso problema não é falta de esforço, mas falta de valor criado por cada hora de esforço.

Em 2024, cada trabalhador português gerou cerca de 48 mil euros para o produto interno bruto, contra 74 mil na União Europeia. O salário bruto mensal ajustado a tempo completo foi de 2068 euros em Portugal e de 3317 euros na União. Os dois indicadores não coincidem mecanicamente, mas assentam na mesma base: o valor acrescentado. É ele que paga salários, remunera o capital, financia a inovação e sustenta o Estado. Quando se cria pouco, empresas e trabalhadores disputam a escassez.

Produtividade não é uma medida do valor moral de quem trabalha, nem um eufemismo para correr mais depressa. Depende de capital, tecnologia, qualificações, escala empresarial, gestão, energia, concorrência e qualidade das instituições. A lei laboral não é a causa única. Mas pode facilitar a adaptação da economia ou obrigá-la a defender o passado.

O nosso sistema continua a proteger mais o posto do que a carreira. A OCDE coloca Portugal entre os países com regras mais estritas no despedimento de trabalhadores permanentes e assinala que a compensação média fixada por despedimento ilícito ronda 20 salários mensais, com a reintegração ainda frequentemente determinada pelos tribunais. A consequência é um forte desincentivo à contratação sem termo.

O paradoxo é evidente: a rigidez não elimina a insegurança, transfere-a para quem está de fora. Em Portugal, 15,1% dos trabalhadores por conta de outrem têm contratos temporários e quase quatro em cada dez jovens trabalham a prazo. As empresas adiam contratações e reorganizações; os trabalhadores ficam presos a maus ajustamentos, com menor mobilidade e menos incentivos à formação.

A Dinamarca mostra outra possibilidade. Combina custos mais baixos de contratação e cessação, negociação salarial com ampla margem ao nível da empresa, proteção robusta no desemprego e políticas ativas de emprego. O salário mensal ajustado a tempo completo aproxima-se dos 5964 euros, quase três vezes o português. Isto não prova que a flexibilidade, por si só, crie riqueza. Prova que é possível proteger pessoas sem congelar postos de trabalho.

Portugal precisa de uma lei que favoreça o ajustamento dentro da empresa antes da rutura, reduza a incerteza e a morosidade judicial, permita reorganizar funções e tempos de trabalho dentro de limites claros e aproxime a contratação coletiva da realidade de cada setor e empresa. Em paralelo, precisa de formação contínua com resultados avaliados, direitos portáteis, proteção adequada no desemprego e serviços de reintegração eficazes. Flexibilidade sem segurança é arbítrio. Segurança sem mobilidade é estagnação.

Os salários não sobem de forma sustentável por decreto sobre a mesma base de baixo valor, nem tratando cada reorganização como uma agressão. Sobem quando as empresas investem, crescem, se especializam e partilham os ganhos de produtividade.

A produtividade não é um número frio numa folha de cálculo. É o nome escondido dos salários, das margens, da receita fiscal e do futuro. Um país que trabalha muito e produz pouco acaba, inevitavelmente, cansado e pobre.