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# Apoiar hoje, tornar resiliente amanhã
- URL: https://fora-do-ruido.ghost.io/apoiar-hoje-tornar-resiliente-amanha/
- Published: 2026-09-07T11:23:31.000Z
- Updated: 2026-09-07T11:23:31.000Z
- Author: Ramiro Brito

[Apoiar hoje, tornar resiliente amanhãA agricultura cria mais valor quando deixa de vender apenas matéria-prima e passa a gerar indústria, conhecimento, marcas e emprego no território.![](https://storage.ghost.io/c/f3/5c/f35c2e53-af36-412d-96ea-c738b6852ee8/content/images/icon/favicon-7a1485d8-6776-440f-b5c9-508bc4a46867.ico)ObservadorRamiro Brito![](https://storage.ghost.io/c/f3/5c/f35c2e53-af36-412d-96ea-c738b6852ee8/content/images/thumbnail/https-3A-2F-2Fbordalo.observador.pt-2Fv2-2Frs-3Afill-3A900-2Fc-3A751-3A751-3Anowe-3A190-3A200-2Fq-3A70-2Ff-3Awebp-2Fplain-2Fhttps-3A-2F-2Fs3.observador.pt-2Fwp-content-2Fuploads-2F2026-2F01-2F28202850-2Fpresidente-aeminho-f8b0bd31-e960-47f7-a758-c0410ceb638e.jpeg)](https://observador.pt/opiniao/apoiar-hoje-tornar-resiliente-amanha/?ref=fora-do-ruido.ghost.io)

O apoio de 30 milhões de euros aprovado para compensar o aumento dos preços dos combustíveis e fertilizantes é necessário. Para muitas explorações agrícolas, cooperativas e empresas de transformação, a subida dos custos não representa uma dificuldade passageira. Pode determinar se continuam a produzir.

Mas um apoio de emergência só cumpre inteiramente a sua função se aliviar o presente sem nos condenar a repetir a mesma resposta na crise seguinte.

A agricultura depende de combustível, fertilizantes, rações, água e eletricidade. Quando estes custos aumentam, o efeito passa da exploração para a cooperativa, a indústria, a distribuição e o consumidor.

No Minho, a vinha, o leite, a pecuária, a horticultura e os produtos certificados alimentam uma rede de cooperativas, indústrias, transportadores e exportadores. A região produziu, em 2024, perto de 41 milhões de litros de vinho.

A agricultura cria mais valor quando não vende apenas matéria-prima.

Produzir leite ou uvas cria mais riqueza quando a região também transforma, certifica, promove e exporta. A produção local torna-se economia regional quando gera indústria, marcas e emprego.

É por isso que os apoios à agricultura não podem ser pensados apenas como compensações. Precisam também de funcionar como política de investimento.

Isto não significa impor condições burocráticas à ajuda urgente. Uma empresa confrontada com uma fatura incomportável não pode esperar meses por uma candidatura e um reembolso. O auxílio deve ser simples, rápido e baseado em critérios objetivos.

A transformação deve ocorrer através de uma segunda linha, complementar e previsível.

Essa linha deveria apoiar eficiência energética, autoconsumo, rega inteligente, agricultura de precisão, valorização de resíduos e equipamentos que reduzam o consumo de combustível e fertilizantes.

O objetivo é permitir que uma pequena exploração utilize tecnologia sem suportar sozinha o investimento e o risco.

As cooperativas podem partilhar equipamentos, agregar compras, produzir energia e levar soluções de precisão a explorações sem escala. No Minho, onde a propriedade é fragmentada, a resiliência terá de ser construída em rede.

Também os apoios devem mudar a forma como chegam às empresas.

Um incentivo que exige primeiro a realização integral da despesa exclui quem não tem liquidez. Uma pequena empresa agrícola pode ter um bom projeto e não conseguir financiar durante meses a parte que o Estado só reembolsará mais tarde. Nesse caso, o apoio existe no regulamento, mas não na economia real.

São necessários adiantamentos adequados, decisões rápidas e pagamentos associados a etapas verificáveis. O rigor não depende de fazer o beneficiário esperar. Depende de critérios claros, fiscalização eficaz e responsabilização por resultados.

Podemos usar cada crise para subsidiar os mesmos fatores de produção ou para reduzir gradualmente a dependência.

A agricultura continuará exposta ao clima, aos mercados internacionais e à geopolítica. Prometer imunidade seria irresponsável.

Mas vulnerabilidade não é destino.

Uma exploração que consome menos energia por unidade produzida, utiliza fertilizantes com maior precisão, aproveita resíduos e vende através de uma cadeia regional de maior valor continua exposta aos choques. Enfrenta-os com outra capacidade.

É essa capacidade que deve orientar a política agrícola.

Os 30 milhões agora aprovados protegem produção, rendimento e abastecimento. Mas o seu sucesso não pode ser medido apenas pelo número de beneficiários.

Deve também ser medido pelo que acontecer antes da próxima crise.

Se voltarmos a encontrar as mesmas empresas com a mesma dependência e os mesmos custos, teremos comprado tempo. Se utilizarmos esse tempo para modernizar explorações, fortalecer cooperativas e criar agroindústria no território, teremos construído resiliência.

Apoiar hoje é uma necessidade.

Tornar esse apoio menos necessário amanhã deve ser o objetivo.